Hoje, enquanto fazia uma das minhas habituais caminhadas pelos campos do Baixo Vouga, dei comigo a pensar que este exercício a que me "obrigo" quase diariamente não passa, se calhar, de uma tentativa para enganar o Tempo. Mas não se trata, propriamente, de uma obrigação, ou é uma obrigação a que se mistura uma boa dose de prazer, proporcionada pela visão da natureza - as águas, o rumor das árvores, o céu, uma nuvem que passa tocada pelo vento, um caminho estreito ladeado por caniços, as flores que trazem a Primavera, os tons acastanhados do Outono, e, por cima de tudo, envolvendo tudo, o silêncio. Prazer acrescido, aliás, pela música clássica que não me dispenso de ouvir desde que, no Natal passado, me ofereceram um MP3.
Mas voltando ao Tempo. Enquanto caminho, imagino cá para mim o grande safardana a mirar-me, diluído no espaço invisível, ruminando com prazer malévolo:
- Este pensa que me engana, que não ando de olho nele.
Eu sei que andas, grande sacana, ao teu olho implacável, mais que o do Big Brother, nada escapa. Mas ainda assim vou fazendo pela vida. Enquanto puder. O que quer simplesmente dizer - enquanto o ânimo não me abandonar de todo.

Sem comentários:
Enviar um comentário